O sonho do intercâmbio

Quando esse sonho começou?

Tenho que confessar que é um sonho antigo, mas que passou por algumas mutações.

Quando anos atrás estava terminando meu curso de inglês ─ daqueles convencionais de cinco anos, em que se alcança um suposto nível avançado no idioma ─, me imaginava viajando para algum país de língua inglesa para alcançar a tão sonhada fluência. Naquela época meu sonho era fazer o High School, passar um semestre estudando no exterior, o destino escolhido era o Canadá ─ não me pergunte o porquê, mas quando pensava em intercâmbio preferia estudar no Canadá que nos EUA ─ mas era um sonho pouco viável até então.

O término do curso de idiomas coincidiu com o término do ensino médio e vestibular. Como podem imaginar, tinha outras prioridades naquela época.

Durante os cinco anos da faculdade de direito deixei esse sonho adormecido, pois embora tenha tido algumas amigas de faculdade que fizeram um curso de intercâmbio em Londres durante os dois meses de férias da faculdade, não era um gasto que estava disposta a pedir aos meus pais que cobrissem, especialmente considerando que já pagavam minha faculdade.

Passei na prova da OAB, me formei em direito, e logo fui aprovada em concurso público e comecei a trabalhar…

Então mais uma vez mantive esse sonho adormecido, ainda não era o momento. No mínimo esperar um ano até as primeiras férias, porém, pensava que 1 mês era muito pouco, queria passar no mínimo dois meses… Como servidora pública teria direito a um período de 60 dias de licença prêmio após 3 anos de trabalho, mas esses 3 anos pareciam tão distantes que de “adormecido”, o sonho passou para um estado de hibernação profunda, beirando o esquecimento. rsrs.

Finalmente se passaram os três anos, mas vivia um contexto diferente, com uma rotina corrida, trabalhando e estudando para concurso (para aquele cargo que realmente almejava e que tinha que aguardar adquirir os anos de prática jurídica necessários), e aguardando ansiosa pela publicação dos tão aguardados editais, de maneira que nem lembrei de tirar o sonho do congelador.

Até que, no início do ano passado as coisas mudaram. Lembrei que como todos os concursos que estava prestando eram para cargos federais, caso aprovada não teria mais direito a licença prêmio (um benefício revogado dos servidores públicos federais, que era de 3 meses a cada 5 anos de trabalho), então refleti que esses dois meses de licença seriam perfeitos para FINALMENTE realizar o sonho do intercâmbio, e que tinha que me organizar o quanto antes.

Não obstante tenha tomada essa decisão de finalmente fazer o degelo do sonho e colocá-lo no forno, as coisas ainda estavam um pouco complicadas. Não por uma questão financeira, pois sempre fui do tipo de pessoa que guarda dinheiro para planos futuros ─ ou mesmo sonhos hibernados ─, mas porque, como disse, estava estudando para concurso, mais especificamente para o de Procurador da República, cuja primeira fase seria em março de 2017, e cuja cronograma de provas ia até o fim do ano, ou seja, qualquer plano de viagem no mínimo seria a partir de dezembro.

Após a primeira prova, em março, o concurso foi suspenso por decisão judicial ─ e diga-se de passagem, está suspenso até hoje ─, então você pode imaginar a situação super chata e complicada na qual me encontrava: não sabia se tinha ou não sido aprovada para a 2ª fase do certame, não havia previsão para continuidade do concurso, e havia a possibilidade, inclusive, de anularem a primeira prova e refazerem todo o processo. Além de todo esse drama, havia a previsão de lançamento do edital do concurso para Defensor Público da União, outro que queria muito fazer, no segundo semestre do ano passado.

Ou seja, impossível falar em planejamento de viagem de intercâmbio com um calendário totalmente incerto!

Então, no fim do mês de julho, após tanta espera e estresse, tive um daqueles momentos catárticos. Depois de um dia de muita reflexão decidi que ia marcar meu intercâmbio para o primeiro semestre de 2018 ─ até então já tinha decidido que as melhores épocas para viajar seria entre abril e junho ou outubro e novembro como explicarei em outra postagem ─, ia falar com minha chefe, para saber se ela me autorizava usufruir dos 60 dias de forma consecutiva (pois costumeiramente se divide em dois períodos de 30 dias), e assim que ela desse o aval, comprar logo minhas passagens aéreas e fechar o curso com a escola de idiomas.

Quanto aos concursos, coloquei nas mãos de Deus meus planos, torcendo para que não tivesse nenhuma prova no período em que estivesse viajando.

No fim das contas: o concurso do MPF ainda está suspenso e sem previsão do que irá acontecer; o concurso da DPU de fato saiu no 2º semestre do ano passado, fiz as duas primeiras etapas mas infelizmente não consegui ir para a 3ª etapa (mas mesmo que tivesse conseguido, todo concurso será finalizado antes do mês de abril, ou seja, não teria atrapalhado minha viagem); saiu outro concurso também no 2º semestre do ano passado, o de analista do TRF1, no qual fui aprovada, mas cujo resultado só deve ser homologado no início de abril (esse ainda estou em oração para que só me nomeiem depois do mês de junho ☻).

No fim das contas, percebemos que nunca haverá um momento adequado se não decidirmos que momento é esse. Só nos resta decidir com serenidade e confiar nos desígnios de Deus.

Eu poderia estar até hoje sem uma data para minha viagem, poderia ter me arrependido de ter marcado caso agora no início do ano resolvessem lançar todos os concursos inimagináveis que estava a anos esperando, ou mesmo ter sido aprovada no concurso da DPU e nomeada, tendo que abortar todos os planos de viagem…

O futuro é incerto. Mas os sonhos não. 

Estes podem sofrer mutações, ser adiados, ficar adormecidos, ou mesmo amadurecendo em seus casulos. O importante é nunca deixar de acreditar que eles são possíveis e que no momento oportuno eles irão se realizar!

 

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