Planejando o Intercâmbio: Onde? Quando? Como?

Você acabou de decidir que quer fazer um intercâmbio, mas talvez esteja se perguntando quais os passos seguintes que deve dar.

As principais dúvidas que surgem nesse momento são:

  • Onde fazer o intercâmbio?
  • Quando viajar? Existe uma época melhor ou pior?
  • Como se planejar? Fazer por meio de uma agência de intercâmbio ou por conta própria?

São questionamentos que dão muito pano para manga, mas tentarei fazer um apanhado geral sobre a questão, pois questões mais específicas dependem do destino escolhido, e como meu intercâmbio será em Londres as informações mais detalhadas que tenho são em relação a essa localidade.

Futuramente pretendo fazer um post específico listando sites onde possam saber especificidades sobre o intercâmbio em diferentes países.

1. Onde fazer o Intercâmbio?

Bom, essa decisão irá depender de uma série de fatores. Um dos principais costuma ser o custo do intercâmbio, que costuma variar de acordo com:

custo de vida local + custo da acomodação + câmbio da moeda + preço da passagem aérea.

Não mencionei a questão do valor da escola por esse varia de acordo com o padrão da escola escolhida, e nem sempre a diferença entre uma localidade e outra é tão grande assim ─ isso considerando as tabelas de preço de escolas de idiomas que tem sede em cidades de diferentes países/continentes.

Irlanda e Malta são considerados dois dos destinos mais baratos, assim como EUA e Reino Unido dos mais caros, EUA especialmente em função de todos os gastos e dificuldades para se obter o visto de entrada no país, e Reino Unido em virtude do câmbio da libra ser o mais elevado, e pelo custo com acomodação, especialmente em se tratando de Londres, ser bem elevado.  Irlanda vem se tornando um dos destinos mais procurados atualmente em razão do visto de estudante permitir que o intercambista trabalhe.

Mas, a bem da verdade, a escolha vai muito além do fator custo, pois no fim das contas tem muito a ver com o sonho que se quer realizar. Assim, se a pessoa sonha em ir para Londres ou Nova York, ela irá fazer o intercâmbio caber no seu bolso, sem abrir mão de ir para onde ela realmente tem vontade.

Óbvio que se a pessoa não tem qualquer preferência quanto a viajar para São Francisco, Vancuver, Dublin, Londres ou Sidney, por exemplo, provavelmente o fator “custo total” irá pesar preponderantemente na balança. Porém, mesmo não tendo preferências, você deve se perguntar:

  • Eu tenho predileção pelo inglês americano ou britânico? (porque sim, há diferenças, inclusive quanto ao sotaque);
  • Eu quero ou estou disposta a suportar baixas temperaturas (isso irá influenciar diretamente na resposta da pergunta “quando viajar?”);

Digo isso porque a grande maioria cresceu vendo séries/filmes e ouvindo músicas americanas, de modo que estão acostumadas com o inglês americano, e poderão ter mais dificuldade de se adaptar ao inglês falado no Reino Unido e Irlanda, por exemplo.

Outras pessoas já vem isso como um fator positivo, e podem pensar inclusive o contrário, que dependendo para qual lugar dos EUA forem, podem ter grande dificuldade com os regionalismos, e com a fala mais rápida e aglutinada do inglês americano (a lá português falado pelo mineiro, com frases em que se abreviam e emendam as palavras). Eu particularmente me coloco nesse segundo grupo. Pode ser uma impressão errada que eu tenho, mas antigamente pensava em fazer intercâmbio no Canadá justamente com a suposição que isso acontece em menor medida lá que nos EUA.

Escolhido o país, outra dúvida que surge é:

  • Capital ou cidade do interior?

Aqui aplica-se o entendimento acima: se o fator principal for o custo, você dará prioridade para cidades menores, cujos custos com o curso e acomodação costumam ser menores; senão, é uma decisão que depende de questões mais práticas e pessoais.

─ Tem quem prefira cidades pequenas, por serem mais tranquilas; por ser mais rápido se deslocar de um lugar a outro; sem a correria de grandes centros; etc.

─ Outros preferem grandes centros por terem mais opções de lazer e turismo; melhor infra-estrutura de transporte, etc.

Conversei com algumas pessoas que foram para Cambridge e Oxford na Inglaterra ao invés de Londres pela questão de que, como “cidade global”, Londres recebe um grande fluxo de turistas e estrangeiro, de modo que nem sempre você irá ouvir inglês, e muito menos o “inglês correto”, nas ruas, e numa expectativa de encontrar um menor número de brasileiros.

O primeiro motivo é interessante, embora não irá demover alguém que tenha menos de 2 meses para fazer o intercâmbio, e que quer aproveitar o tempo depois das aulas para justamente desbravar e conhecer tudo que a cidade tem para oferecer.

Quanto ao segundo, não se iluda!! Não há como fugir de brasileiros. Eles estão em todo canto. E se for viajar em janeiro e julho a possibilidade de encontrá-los aos montes, inclusive na sua sala do curso de idiomas é bem grande, principalmente porque é época de férias escolares aqui no Brasil.

2. Quando fazer o Intercâmbio?

Como mencionei anteriormente, excluído obviamente as limitações quanto a escolha do período de férias do trabalho/escola/faculdade/curso de pós-graduação, irá depender da preferência do intercambista quanto a se submeter ou não a baixas temperaturas.

Tem quem queira aproveitar para ver a neve, curtir um inverno realmente gelado, vivenciando uma experiência que nunca teve aqui no Brasil. Outros preferem o calor, ou são extremamente friorentos, daqueles que sentem frio até em temperatura beirando os 25°C. Assim como quem gostaria de viajar no auge da primavera ou outono no hemisfério norte.

Para aqueles que vão para algum destino da Europa ─ excetuados os que sonham viver um “inverno de verdade” ─, eu particularmente penso que as melhores épocas para viajar são entre abril e junho ou outubro a novembro (durante a primavera e outono, respectivamente).

Isso porque, são épocas com temperaturas mais amenas, com paisagens diferenciadas (flores no auge da floração, ou aquele colorido característico do outono ♥), amanhece e anoitece em horários próximos ao que estamos acostumados no Brasil, e se evita o período das férias europeias (normalmente entre a segunda quinzena de julho e setembro), que é sinônimo de viagem mais cara e atrações mais lotadas.

Além disso o verão na Europa pode ser muito quente (próximo aos 40°C), e se é verdade que casas e estabelecimentos comerciais são preparados para as baixas temperaturas, contando quase sempre com aquecimento/calefação, nem sempre estão preparadas para as altas temperaturas (sim, há hotéis sem ar condicionado ou ventilador).

Quanto ao inverno, além das baixas temperaturas, beirando os 0°C, ou menos dependendo da localidade, há a questão de que os dias são mais curtos, amanhecendo por volta de 09:00 e anoitecendo por volta das 16:00. Ou seja, menos tempo para passeios ao ar livre, além das dificuldades que um pouco de granizo ou de neve provocam no dia a dia de quem quer andar pela cidade.

Como destaquei, se trata da minha opinião pessoal. Ficarei em Londres da última quinzena de abril até fim de junho, mas gostaria de voltar algum dia em pleno inverno. ☺

3. Como planejar?

De início, a primeira coisa a fazer é pesquisar.

Pesquisar muito sobre o lugar (ou lugares) onde pretende fazer o intercâmbio. Nessas horas o auxílio de uma agência de viagens e intercâmbio pode facilitar em muito o processo. O que não significa que tal auxílio seja imprescindível.

Para quem pretende viajar por uma agência, ou você irá escolher a agência e, dentre as opções disponibilizadas pela mesma, escolher em que escola irá estudar, ou você primeiro pesquisa e escolhe em que escola quer estudar, e então decide contratar uma entre as empresas de intercâmbio que oferecem o pacote para essa determinada escola.

(são muitas as escolas e normalmente cada empresa tem uma lista de opções daquelas com as quais trabalha)

Aí você me pergunta: dá para fazer tudo por conta própria? Vale a pena?

Vou logo adiantar que sim, é possível fazer tudo sem o intermédio de uma agência de intercâmbio ─ eu fiz todas as contratações sem o intermédio de uma agência.

Vale a pena?

Para responder a essa pergunta, e para qualquer um que pretende planejar a viagem de forma independente, eu sugiro fazer o mesmo que eu fiz:

  1. Pesquisar sobre as escolas do local de destino e escolher aquela/aquelas que pretende estudar (estar em dúvida entre duas opções não é algo ruim nessa fase);
  2. Entrar em contato com a escola, e fazer seu orçamento. A grande maioria também oferece opções de hospedagem, que já pode ser incluso no pacote, e em muitas deles é possível ser atendido em português.
  3. Entre em contato com as agência de intercâmbio presentes na sua cidade, ou com atendimento pela internet e peçam orçamento, se possível na mesma escola que você já tinha escolhido — eu fiz orçamento em umas 6 empresas (STB intercâmbio, CI, IE, Egali, Descubra o mundo, ICGroup, e uma outra que não me recordo agora)
  4. Com os orçamentos em mãos é possível comparar por onde sai mais barato.

Questões a se considerar:

  • Muitas vezes o valor da escola pode ser o mesmo fechando pela agência ou fechando diretamente com a escola.
  • O que costuma variar é que pode ser que naquele momento em que orçou junto a escola poderia existir alguma promoção especial concedendo desconto; muito embora eles costumem repassar esses desconto para as agências. Ou seja. Não compare o preço do orçamento da agência com o preço veiculado no site da escola, porque a diferença de preço que aparece pode ser ilusória, e pedindo o orçamento para a escola, essa ofereça o mesmo desconto que a agência, ou até um desconto maior.
  • Entre uma agência e outra, considerando o orçamento feito para uma mesma escola, o que costuma variar é o preço da taxa de serviço da empresa e o custo da acomodação.
  • Em muitos casos, a taxa da empresa é relativamente baixa: menos de R$300. Aí você me pergunta: elas só ganham isso? A bem da verdade a conclusão que cheguei é que o maior ganho dessas empresas é na hora do fechamento da fatura, no valor do câmbio aplicado. Explico:
    • Você fecha o intercâmbio em 02 de fevereiro de 2018, independentemente de você pagar à vista ou parcelado (no cartão ou boleto), o valor total do seu intercâmbio é = valor do curso (+ acomodação) + taxa de serviço da empresa, os dois primeiros na moeda de origem (dólar, euro, libra), sendo esse valor convertido em Reais. Ou seja, seu valor total que constará no contrato será em reais, e o valor da taxa de câmbio aplicada pela empresa é, em regra, o câmbio turismo, e não o câmbio comercial, ou seja, aquele câmbio mais elevado do mercado, muito maior, por ex., que o câmbio utilizado para fazer remessa de dinheiro para o exterior, mais próximo ao câmbio comercial. E pelo que entendi, é aqui onde verdadeiramente essas empresas ganham → Você paga por ex. o valor do curso com a Libra (£) a R$4,60, e eles repassam o valor para a conta da escola no país de destino com um câmbio mais favorável de R$4,25.
    • Se quiser tem uma noção da diferença do valor, quando estiver com os orçamentos, faça uma simulação de remessa de dinheiro para o exterior diretamente pelo seu banco, e pelos sites de casas de câmbio como Confidence, RemessaOnline e Advanced Corretora, Assim terás uma dimensão Real da diferença.
    • Das empresas de intercâmbio que consultei, a única que não aplicava a £ turismo foi a ICGroup, que recebe os pagamentos utilizando a taxa de câmbio da plataforma paytostydy.com ─ adorei o atendimento e somada ao câmbio mais favorável quase fechei com eles, mas como eles não trabalhavam com a escola em que decidi estudar acabei decidindo fazer tudo por conta própria mesmo.
  • Os 4 fatores que na minha opinião favorecem fechar com uma empresa, em um contexto de preços semelhantes aos cobrados em caso de contratação direta com a escola, são:
    • Comodidade;
    • Possibilidade de parcelamento do valor;
    • Estar amparado pelo Código de Defesa do Consumidor caso ocorra algum problema;
    • Apoio/assistência durante a viagem.
  • Aqui aproveito para desmentir um mito: fechando direito com a escola você não será obrigado a pagar tudo de 1x. Na maioria se tem a opção de parcelar o valor no cartão de crédito, ou fazer transferências bancárias (dividindo o valor em quantas remessas você quiser), o que se exige é que tudo tenha sido pago até 30 dias antes da data do início do curso.
  • Chamo atenção também para a dita “assistência durante a viagem”, pois, em regra, essa assistência ocorrerá tão somente via telefone/whatsapp/email, eis que nem sempre as agências possuem pólos nos locais de destino ─ exceção, em relação à Londres para as empresas Egali e ICGroup, que tem escritório na cidade.
    • ─ e CUIDADO!!! Nem sempre as informações dadas são 100% confiáveis. Faço parte de um grupo do Wathsapp só de pessoas que planejam fazer intercâmbio em Londres em 2018, e no mês passado uma das meninas passou o maior perrengue por causa de uma informação errada da atendente da empresa de intercâmbio:  ela desembarcou no Aeroporto de Heathrow – de onde sai linha de metrô que vai direto ao centro de Londres -, e, com base no endereço da casa onde ela ficaria hospedada, a atendente indicou em que estação de metrô ela deveria descer de modo a ficar mais próximo da casa e gastar menos com Táxi. Tudo lindo e maravilhoso, exceto que a estação indicada era muito distante do endereço! Ela descobriu isso enquanto estava no metrô mandando mensagem avisando que já tinha desembarcado, porque um dos membros do grupo estranhou quando ela comentou a região de Londres para onde ia e a estação em que desceria. Foi um transtorno, e ela acabou gastando mais com táxi do que deveria.
    • Não quero com isso assustar ninguém, e é óbvio que há muitos profissionais responsáveis trabalhando nessas empresas. Pelo sim ou pelo não, sou do tipo que confia desconfiando, e gosto de confirmar informações que recebo em outras fontes.
  • E “Oferta” de cartão pré-pago internacional via de regra é história da carochinha. É sério. Não estou sendo sarcástica. O fato é que a maioria dessas empresas trabalham com o cartão multimoedas da Confidence Cambio, e o único bônus é receber o cartão na agência, porque na primeira vem que você for carrega dinheiro no cartão, seja na agência, no site ou no aplicativo da Confidence, você irá pagar a mesma taxa de R$15 que aquele que pediu o cartão direto pelo site/app – como eu fiz – e recebeu o cartão na comodidade da sua casa.

Ufa! Penso que já me estendi mais que o planejado.

Por hora é isso.

Falarei sobre “como escolher a escola” em outro momento.

Agradeço a visita e lhe convido a ver por onde andei!

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